O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 14,25% ao ano, interrompendo o ciclo de altas iniciado em setembro de 2024. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, mas surpreendeu ao sinalizar que, se o cenário fiscal não se consolidar, novos aumentos podem ocorrer.
Em comunicado, o BC destacou que a inflação corrente segue pressionada por alimentos e serviços, mas que a atividade econômica mostra desaceleração. A projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,2% para 5,4%, acima do teto da meta de 4,5%. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reafirmou o compromisso com a convergência da inflação para a meta.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a manutenção dos juros em patamar elevado deve arrefecer o consumo e os investimentos privados, já prejudicados pela alta da dívida pública. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou a decisão e disse que o governo continuará com o ajuste fiscal.
No mercado, o dólar caiu 0,8% e fechou a R$ 5,70, enquanto a Bolsa de Valores (Ibovespa) subiu 1,2%. A expectativa é de que a Selic permaneça estável nas próximas reuniões, mas o Copom deixou claro que seguirá vigilante.

