Perspectiva Otimista no Campo
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta quinta-feira (7) a primeira projeção para a safra de grãos 2025/2026, indicando um crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior, podendo atingir 337 milhões de toneladas. O aumento é atribuído à recuperação das lavouras no Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além da expansão da área plantada com soja e milho segunda safra.
Impactos na Economia
O agronegócio, que responde por cerca de 25% do PIB nacional, deverá injetar R$ 1,2 trilhão na economia brasileira em 2026, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O recorde na produção tende a gerar superávit na balança comercial, com exportações estimadas em US$ 120 bilhões, e ajudar a conter a inflação de alimentos, especialmente carnes e óleos vegetais.
Destaques por Produto
A soja deve crescer 21%, alcançando 175 milhões de toneladas, puxada pela demanda chinesa e preços internacionais favoráveis. O milho total pode chegar a 130 milhões de toneladas, com avanço de 15%. O café arábica, com colheita em ano de bienalidade positiva, deve saltar 35%, atingindo 60 milhões de sacas. Já o trigo pode atingir 10 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como exportador relevante.
Logística e Sustentabilidade
O escoamento da safra deve ser facilitado pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e pelo Arco Norte, que já movimentam 60% da produção do Centro-Oeste. O governo também anunciou R$ 5 bilhões em linhas de crédito para armazenagem e práticas de baixo carbono, como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta.
Perspectivas de Mercado
Especialistas apontam que a ‘super-safra’ poderá pressionar para baixo as cotações de commodities no mercado interno, beneficiando a indústria de rações e biocombustíveis. No entanto, alertam para riscos climáticos, como o fenômeno La Niña, que pode trazer chuvas irregulares para o Sul. O Banco Central monitora o impacto na taxa de câmbio e na meta de inflação para 2026, que está em 3,5%.

