Dólar Dispara e Ibovespa Tomba: A Nova Tempestade Financeira
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte turbulência nesta quarta-feira, com o dólar comercial atingindo R$ 5,80, maior nível desde março de 2021. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), fechou em queda de 2,5%, aos 112 mil pontos, pressionado pelas incertezas fiscais domésticas e pela expectativa de juros altos nos Estados Unidos. A aversão ao risco global também contribuiu para o movimento, com investidores buscando proteção em ativos como ouro e títulos do Tesouro americano.
No Brasil, o mercado digeriu a proposta de Orçamento para 2026, que prevê um déficit primário de R$ 150 bilhões, distante da meta de déficit zero defendida pelo Ministério da Fazenda. O ministro Fernando Haddad afirmou que o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal, mas a falta de medidas concretas de ajuste aumenta a desconfiança. Além disso, a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional segue lenta, alimentando a percepção de risco.
No cenário externo, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reiterou que o banco central americano pode manter os juros elevados por mais tempo para conter a inflação, o que fortaleceu o dólar globalmente. A moeda americana também subiu frente a outras moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Empresas com alta exposição cambial, como Petrobras e Vale, sofreram quedas significativas. A ação da Petrobras recuou 3% em meio à pressão do câmbio sobre os custos operacionais. O setor de varejo também foi impactado, com redes como Lojas Americanas e Magazine Luiza perdendo mais de 4%.
Analistas recomendam cautela: a volatilidade deve continuar nas próximas sessões, acompanhando o cenário fiscal e as sinalizações do Fed. Para o investidor pessoa física, a orientação é diversificar a carteira e evitar decisões emocionais.

