15 jul 2026, qua

IPCA de julho surpreende e juros futuros disparam na B3

A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que veio acima do esperado pelo mercado, provocou uma forte reação nos mercados financeiros brasileiros. O índice subiu 0,38% no mês, ante previsão de 0,30%, acumulando alta de 4,45% em 12 meses, ainda dentro do teto da meta, mas acendendo alertas no Banco Central (BC).

Na B3, os contratos de juros futuros (DIs) dispararam, com o DI para janeiro de 2029 saltando de 13,10% para 13,30% ao ano. A curva a termo incorporou maior prêmio de risco diante da possibilidade de o Copom elevar a Selic na próxima reunião, em setembro, encerrando o ciclo de cortes. O mercado projeta agora que a taxa básica encerre o ano em 10,50%, acima dos 10,25% anteriores.

Entre os fatores que pressionaram a inflação estão os reajustes nos preços de combustíveis, com destaque para a gasolina (2,3%), e a alta nos alimentos, como carnes (1,8%) e leite (1,5%). A energia elétrica também registrou aumento de 0,9% puxada pela bandeira tarifária amarela. O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, ficou em 0,35%, acima da mediana das expectativas.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já havia sinalizado que a trajetória da política monetária dependeria dos dados de inflação e da atividade econômica. Com o IPCA acima do esperado, analistas revisaram suas projeções para a Selic. O Banco Original, por exemplo, passou de 10,25% para 10,50% para o fim de 2026, e o Credit Suisse elevou a estimativa de 10,50% para 10,75%.

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou a R$ 5,12, com alta de 0,5% no dia, refletindo o movimento de aversão a risco global e a perspectiva de juros mais altos no Brasil, que podem atrair capital estrangeiro, mas também geram incertezas sobre o crescimento. O Ibovespa recuou 0,8%, aos 125.000 pontos, pressionado pelo avanço dos juros e pela queda das ações de empresas ligadas ao consumo, como Magazine Luiza (-3,2%) e Via (-2,5%).

A próxima reunião do Copom será nos dias 20 e 21 de setembro, e o mercado estará atento ao comunicado e à decisão sobre a Selic. Qualquer sinal de aperto pode impactar ainda mais os mercados e a inflação em 2027.

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