BC mantém tom duro, mas mercado aposta em alívio
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic para 14,5% ao ano, em linha com as expectativas, mas o comunicado veio com tom mais duro, indicando que novos apertos podem ocorrer se a inflação não ceder. Apesar disso, os futuros de juros precificam início de corte já em julho de 2026.
Para o economista-chefe do Banco do Brasil, Marcos Marinho, a comunicação foi consistente com o cenário de incertezas. ‘O IPCA de maio veio acima do esperado e o mercado de trabalho ainda apertado, mas o PIB do primeiro trimestre desacelerou, o que abre espaço para um ciclo de afrouxamento mais cedo’, avalia.
A divisão de votos no Copom entre ala de manutenção e alta indica que o próximo movimento pode ser de pausa. O presidente Lula criticou a decisão, enquanto o mercado reage com cautela. ‘O BC está em uma sinuca de bico’, opina Julia Monteiro, sócia da Kapitalo.
A ata do Copom, na próxima terça, trará mais sinais. Enquanto isso, o real oscila e a Bolsa opera mista. Para o investidor, o cenário exige diversificação: renda fixa ainda atrativa, mas com risco de alongamento em caso de corte mais cedo.

