Inflação nos EUA surpreende e abala mercados globais
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou alta de 0,4% em maio, acima do esperado, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,2%. O mercado financeiro reagiu com forte volatilidade: o Dow Jones caiu 1,8%, o S&P 500 perdeu 2,1% e o Nasdaq recuou 3%. No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa de 2,5%, enquanto o dólar subiu 1,2% ante o real, cotado a R$ 5,15. A curva de juros futuros também disparou, com o DI para janeiro de 2027 atingindo 13,8%.
Analistas interpretam os dados como um sinal de que o Federal Reserve pode adiar o início do ciclo de cortes de juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, já havia sinalizado cautela, mas a pressão inflacionária reforça a necessidade de manter taxas elevadas por mais tempo. No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil enfrenta dilema semelhante: a alta do dólar e a inflação de serviços tornam mais difícil a convergência para a meta. O Copom se reúne na próxima semana, e a expectativa é de manutenção da Selic em 13,75%.
No mercado de câmbio, a valorização do dólar também reflete incertezas sobre a política fiscal brasileira. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o arcabouço fiscal, mas o mercado aguarda medidas concretas. Enquanto isso, o petróleo Brent opera em alta, pressionando ainda mais a inflação global.

