25 jun 2026, qui

Podcasts Viram Máquina de Fazer Dinheiro e Já Valem Mais que Muitas TVs

Podcasts Viram Máquina de Fazer Dinheiro e Já Valem Mais que Muitas TVs

Os podcasts deixaram de ser um hobby e se tornaram um negócio bilionário. Um levantamento da Associação Brasileira de Podcasters (ABPod) mostra que o mercado de áudio sob demanda no Brasil faturou R$ 22 bilhões (cerca de US$ 4,4 bilhões) em 2025, um salto de 47% em relação ao ano anterior. Para efeito de comparação, a receita publicitária da TV aberta no mesmo período foi de R$ 18 bilhões, segundo o IBGE. A virada de chave se deu com a profissionalização dos criadores, que agora negociam patrocínios milionários e assinaturas exclusivas.

Empresas como Spotify, Deezer e Apple Podcasts lideram a distribuição, mas são os produtores independentes que mais crescem. O podcast ‘Mundo Freak’, por exemplo, fechou um contrato de R$ 800 mil com a Vivo para uma série de 30 episódios. Já o ‘Café da Manhã’, da Folha de S.Paulo, tem mais de 500 mil assinantes pagantes no seu plano premium, cada um pagando R$ 9,90 por mês. Isso gera uma receita mensal de quase R$ 5 milhões.

Especialistas apontam que o áudio é o novo ouro do marketing digital. Empresas como Nubank, iFood e Magazine Luiza já possuem seus próprios podcasts, vistos como ferramentas de branding e vendas. ‘O podcast cria uma intimidade com o ouvinte que nenhum outro formato consegue’, diz Ana Fontes, presidente da ABPod. ‘A taxa de clique em anúncios em podcasts é o dobro da de banners, e o recall de marca chega a 70%’.

A tendência é de crescimento contínuo. A Globo anunciou a fusão de sua área de podcasts com a plataforma de áudio Wondery, da Amazon, para atacar o mercado latino-americano. Enquanto isso, pequenos produtores se organizam em cooperativas para negociar publicidade em conjunto, como a PodPago, que reúne 200 podcasts e fatura R$ 2 milhões por mês.

O desafio agora é a regulamentação. O governo estuda criar uma lei específica para podcasts, que hoje seguem regras de radiodifusão ou de internet, dependendo da interpretação. ‘Precisamos de um marco legal que incentive a produção nacional, sem engessar a criatividade’, defende a deputada Tabata Amaral (PSB), autora de um projeto de lei sobre direitos autorais em áudio digital.

Para os ouvintes, a explosão de conteúdo é uma bênção – e uma enchente. São mais de 5 milhões de episódios publicados no Brasil, com 400 mil novas séries por ano. Plataformas como o Castboxe já oferecem curadoria por inteligência artificial para recomendar o que ouvir. ‘O futuro é a personalização total’, prevê Rodrigo Velloso, head de áudio do Google Brasil. ‘Cada pessoa terá seu próprio feed de podcasts, como se fosse uma rádio feita sob medida’.

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