Decisão do Copom Mantém Selic em 14,25% ao Ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 14,25% ao ano, frustrando as expectativas do mercado que projetava um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão foi anunciada no final da tarde desta quarta-feira, pegando muitos investidores de surpresa.
A manutenção dos juros no maior patamar desde 2016 reflete a preocupação do BC com a inflação ainda elevada e as incertezas fiscais. Em comunicado, o Copom destacou que o cenário prospectivo de inflação se deteriorou, com riscos de alta para os preços dos alimentos e energia. A autoridade monetária também ressaltou que o ritmo de desaceleração da economia é gradual e que o mercado de trabalho permanece aquecido.
A reação imediata dos mercados foi negativa. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), recuou 1,8% no fechamento, puxado por ações de varejo e construção civil, setores mais sensíveis a juros altos. Já o dólar comercial registrou alta de 0,9%, negociado a R$ 5,78, refletindo a busca por proteção cambial.
Analistas consultados avaliam que o Copom adotou tom mais hawkish, sinalizando que não há espaço para afrouxamento monetário no curto prazo. No mercado de juros futuros, as taxas subiram, com o contrato para janeiro de 2028 atingindo 15,2%.
O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, evitou comentar a decisão, mas fontes indicam que a equipe econômica mantém diálogo com o BC sobre a necessidade de coordenação entre política monetária e fiscal.
Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a decisão foi baseada em dados técnicos, reiterando o compromisso com o controle da inflação. A próxima reunião do Copom está marcada para setembro, e as expectativas se dividem entre nova manutenção ou um ajuste marginal.

