Investimento histórico impulsiona setor de proteínas alternativas no Brasil
A BioSustent, startup brasileira sediada em Campinas (SP), anunciou nesta terça-feira a captação de R$ 500 milhões em uma rodada Série C liderada pelo fundo de venture capital Valor Capital Group. O valor é o maior já registrado para uma empresa de biotecnologia alimentícia no país, superando em 40% a rodada anterior da concorrente Fazenda do Futuro.
Fundada em 2019 pelos irmãos Lucas e Juliana Mendes, a BioSustent desenvolve proteínas alternativas por meio de fermentação de precisão, utilizando microrganismos geneticamente modificados para produzir proteínas idênticas às de origem animal, mas com menor custo e impacto ambiental. A tecnologia já foi validada em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Embrapa.
Com o novo aporte, a empresa planeja construir sua primeira fábrica em larga escala no Polo Industrial de Paulínia, gerando cerca de 1.200 empregos diretos até 2027. Além disso, a BioSustent pretende expandir sua atuação para os mercados da América Latina e dos Estados Unidos, onde já firmou acordos com redes de fast-food como a Burger King para fornecimento de proteínas para hambúrgueres vegetais.
“Esse investimento é um marco não só para a BioSustent, mas para todo o ecossistema de inovação brasileiro. Estamos mostrando que é possível aliar tecnologia, sustentabilidade e escala industrial para transformar a cadeia alimentar global”, afirmou Lucas Mendes, CEO da empresa.
O movimento reflete uma tendência global de crescimento do mercado de proteínas alternativas, que deve movimentar US$ 290 bilhões até 2035, segundo relatório da Bloomberg Intelligence. No Brasil, startups como Fazenda do Futuro, New Foods e Inoc Food também disputam esse espaço, mas especialistas apontam que a BioSustent se destaca pela tecnologia patenteada e pela capacidade de produção em escala.

