10 jul 2026, sex

Vozes em Alerta: Cantores Brasileiros Formam Frente Contra Inteligência Artificial na Música

Cantores se unem contra IA generativa

Em um movimento sem precedentes, mais de 300 cantores brasileiros de diferentes gerações e gêneros musicais se uniram para lançar um manifesto contra o uso não autorizado de suas vozes por inteligências artificiais. O documento, intitulado ‘Vozes em Alerta’, foi divulgado na última segunda-feira e pede que o Congresso Nacional regulamente a tecnologia antes que ela ‘silencie a criatividade humana’.

Entre os signatários estão nomes como Caetano Veloso, Anitta, Gilberto Gil, Marisa Monte, Emicida e Pabllo Vittar. O manifesto critica empresas que desenvolvem softwares capazes de imitar vozes de artistas sem consentimento ou compensação. ‘Nossa voz é nosso instrumento de trabalho, nossa identidade. Não pode ser usada como matéria-prima para máquinas sem que tenhamos controle sobre isso’, afirma trecho do documento.

O movimento ganhou força após o vazamento de músicas falsas atribuídas a Caetano Veloso e Anitta, geradas por IA. As faixas viralizaram em plataformas de streaming, levantando questões sobre direitos autorais e propriedade intelectual. Especialistas apontam que, atualmente, a legislação brasileira não cobre especificamente a clonagem de vozes por IA, deixando artistas vulneráveis.

A Associação Brasileira da Música (ABM) apoia o manifesto e já protocolou um pedido de audiência pública no Ministério da Cultura. ‘Precisamos de uma lei que proteja o artista desde o momento da criação até a distribuição’, diz o presidente da ABM, João Carlos.

Enquanto isso, empresas de tecnologia como a OpenAI e a Google têm investido em modelos de IA musical. A OpenAI recentemente lançou o ‘Jukebox’, que gera músicas em estilos de artistas reais. Críticos apontam que, sem regulamentação, a tecnologia pode desvalorizar o trabalho de compositores e intérpretes, além de facilitar fraudes e golpes.

O manifesto também propõe a criação de um selo de certificação digital para identificar gravações originais, além de um fundo de compensação para artistas afetados. ‘Não somos contra a tecnologia, mas contra o uso predatório dela’, conclui o documento.

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